
A estabilidade da Bitcoin contrasta com a forte queda dos mercados de petróleo e energia
Nos últimos dias, os mercados globais foram afetados por um grande choque geopolítico. Os Estados Unidos da América tomaram medidas decisivas na Venezuela, os preços do petróleo caíram e os mercados de energia reagiram rapidamente. Em muitos ciclos anteriores, um evento como este normalmente teria pressionado os ativos de risco em geral.
A Bitcoin não seguiu este padrão.
Em vez de cair, manteve-se firme na região dos 90.000 $ e até mostrou força depois disso. Esta divergência é importante.
Este artigo analisa o que aconteceu nos mercados de energia, o que a reação da Bitcoin nos revela e o que os traders devem retirar disso.
O que acabou de acontecer nos mercados de petróleo e energia?
A captura da liderança da Venezuela e o anúncio de que empresas norte-americanas iriam começar a operar campos petrolíferos venezuelanos provocaram uma resposta imediata nos mercados globais de energia.
Os preços do petróleo caíram, uma vez que os traders previram potenciais aumentos da oferta e uma diminuição dos prémios de risco geopolítico. As ações das empresas petrolíferas chinesas também caíram, devido à incerteza quanto ao acesso contínuo ao petróleo venezuelano.
Historicamente, eventos como este fazem com que o capital se afaste dos ativos especulativos e se posicione em investimentos mais seguros.
Desta vez, essa rotação não se verificou totalmente no mercado das criptomoedas.
Por que razão é que a Bitcoin é normalmente negociada como um ativo de risco?
Durante anos, a Bitcoin acompanhou frequentemente o desempenho das ações de tecnologia e de outros mercados de alto beta. Quando os riscos geopolíticos aumentavam ou os preços da energia afetavam o sistema, os investidores normalmente migravam para o dinheiro, as obrigações ou as commodities, e as criptomoedas geralmente acompanhavam a queda das ações.
Este comportamento baseava-se em duas suposições:
● A Bitcoin era tratada principalmente como uma transação especulativa;
● A liquidez e o sentimento de risco eram mais importantes do que a posição a longo prazo.
Desta vez, a reação pareceu diferente.
A reação diferente da Bitcoin
Enquanto os mercados de energia se ajustavam e os preços do petróleo caíam, a Bitcoin permaneceu relativamente estável, tendo inclusive subido nas sessões seguintes.
Não se assistiu a uma venda generalizada motivada pelo pânico. A volatilidade permaneceu contida em comparação com a observada nos mercados de ações e da energia durante o mesmo período.
Este tipo de resiliência sugere que a Bitcoin está a ser cada vez mais tratado como um ativo macroeconómico próprio e não apenas como mais uma transação de risco.
Este comportamento pode ser claramente observado em plataformas como a página de preço da Bitcoin da Bitget.
Por que razão os choques no setor energético estão a perder influência sobre a Bitcoin?
Vários fatores estruturais ajudam a explicar por que razão os choques macroeconómicos impulsionados pela setor da energia estão a ter um impacto menos direto sobre a BTC.
Em primeiro lugar, a oferta de Bitcoin é fixa e previsível. O abastecimento de petróleo pode mudar instantaneamente devido a questões políticas, decisões de produção ou sanções. A emissão de Bitcoin não pode.
Em segundo lugar, os grandes compradores pensam agora em horizontes plurianuais. Os tesouros corporativos e os detentores institucionais que acumulam BTC não reagem às notícias diárias.
Em terceiro lugar, a Bitcoin é cada vez mais vista como uma proteção contra a incerteza política e não como um reflexo desta. Isso altera a forma como os mercados reagem quando surge uma tensão global.
Em conjunto, estes fatores enfraquecem a relação histórica entre a volatilidade do petróleo e as vendas massivas de criptomoedas.
O que significa isto para os traders de criptomoedas?
Não significa que a Bitcoin seja imune a eventos macroeconómicos. Significa apenas que o tipo de evento macroeconómico em questão tem agora mais importância.
Atualmente, os choques no setor da energia e a reavaliação dos preços das commodities parecem ter menos influência do que:
● A orientação da política do banco central;
● As condições globais de liquidez;
● As tendências de alocação institucional.
Como resultado, a Bitcoin está a começar a comportar-se menos como um proxy tecnológico alavancado e mais como um ativo macroeconómico autónomo com os seus próprios fatores impulsionadores.
O Ethereum tem demonstrado uma resiliência semelhante, que poderá acompanhar aqui.
O que observar a seguir
Em vez de reagir apenas às notícias sobre o petróleo, os traders devem concentrar-se no seguinte:
● Expectativas de taxas e orientações da Reserva Federal;
● Acumulação corporativa e institucional de BTC;
● Como é que a Bitcoin se comporta em relação às ações durante períodos de volatilidade.
Se a Bitcoin continuar a manter-se firme durante períodos de incerteza, isso sinalizará uma mudança estrutural mais profunda na forma como o mercado avalia o risco das criptomoedas.
Conclusão
Os mercados petrolíferos reagiram rapidamente a um importante acontecimento geopolítico. Os preços caíram. As ações do setor energético registaram movimentos. A Bitcoin não seguiu o mesmo caminho.
Esta divergência é importante.
Isto sugere que a Bitcoin está a ser cada vez mais tratada como um ativo macroeconómico com a sua própria lógica, em vez de uma simples transação de risco associada a commodities ou ações. Para os traders, compreender esta mudança é muito mais importante do que reagir a cada notícia.
O mercado não está a ignorar o risco macroeconómico. O que está a acontecer é que está a redefinir o que a Bitcoin representa dentro dele.
Aviso legal: as opiniões expressas no presente artigo são meramente informativas. Este artigo não constitui o endosso de quaisquer produtos e serviços mencionados, nem aconselhamento de investimento, financeiro ou de trading. Deve consultar profissionais qualificados antes de tomar qualquer decisão financeira.


