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As tarifas de Trump sobre a Groenlândia desestabilizaram completamente a estratégia de apaziguamento da UE

As tarifas de Trump sobre a Groenlândia desestabilizaram completamente a estratégia de apaziguamento da UE

101 finance101 finance2026/01/18 22:38
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Por:101 finance

UE Enfrenta Desafios em Meio à Escalada Tarifária dos EUA

Fonte: Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos

Ursula von der Leyen estava prestes a celebrar uma conquista diplomática significativa — a finalização de um acordo comercial com as maiores economias da América do Sul — quando Donald Trump interrompeu o momento. Pouco antes de von der Leyen discursar no Paraguai, o presidente dos EUA anunciou uma nova onda de tarifas sobre a Europa, citando a postura da UE em relação à Groenlândia como motivo.

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    Como presidente da Comissão Europeia, von der Leyen subitamente se viu sob intenso escrutínio, com muitos aguardando para ver se ela desafiaria diretamente a atitude agressiva de Trump. Em vez disso, sua resposta veio mais tarde, à noite, sendo amplamente criticada por autoridades e diplomatas por carecer de firmeza.

    Paula Pinho, principal porta-voz da Comissão Europeia, defendeu von der Leyen, afirmando: “A presidente von der Leyen sempre age no melhor interesse da UE e de seus cidadãos.”

    Esse episódio destaca a crescente insatisfação com o estilo de liderança de von der Leyen. Críticos argumentam que sua tendência de buscar compromissos com Trump não reduziu a pressão dos EUA nem trouxe benefícios tangíveis para a Europa.

    Arancha Gonzalez Laya, ex-ministra das Relações Exteriores da Espanha, comentou: “A abordagem de apaziguamento da Europa falhou”, ecoando sentimentos compartilhados em privado por vários altos funcionários.

    Segundo pessoas próximas, von der Leyen também adiou a implementação de um plano prometido de recuperação econômica, deixando a Europa mais vulnerável às táticas dos EUA. A disputa mais recente sobre a Groenlândia trouxe essas questões à tona, com as ameaças tarifárias de Trump aproximando EUA e UE de um conflito comercial.

    Os riscos são altos para von der Leyen e para a UE. A capacidade do bloco de defender a Ucrânia da agressão russa e de se adaptar a um cenário global em transformação — dominado por EUA e China — está em jogo.

    Gonzalez Laya enfatizou: “A Europa precisa desenvolver uma estratégia inteligente de dissuasão para lidar com atores agressivos.”

    Esta análise baseia-se em discussões com mais de uma dúzia de autoridades e diplomatas familiarizados com a administração de von der Leyen, todos os quais falaram anonimamente para compartilhar opiniões francas.

    Segundo Mandato de Von der Leyen e Ambições Econômicas

    O compromisso de von der Leyen em fortalecer a economia e a segurança da UE foi central em sua campanha de reeleição de 2024. Ela apresentou um amplo plano de ação elaborado por Mario Draghi, respeitado ex-presidente do Banco Central Europeu, argumentando que o vasto mercado único e a população da Europa poderiam ser aproveitados para maior influência global.

    No entanto, mais de um ano depois, grande parte dessa visão permanece irrealizada. A UE enfrenta ameaças econômicas crescentes dos EUA e da China, enquanto a Rússia continua representando riscos de segurança em suas fronteiras.

    Alguns funcionários sugeriram que von der Leyen está mais interessada em compromissos internacionais de alto nível do que no trabalho detalhado de reforma econômica interna. Pinho, porém, descartou essas alegações como infundadas.

    Outros críticos dizem que a equipe de von der Leyen mantém controle rigoroso sobre as operações diárias da Comissão, limitando a autonomia dos comissários e atrasando o progresso em um momento em que a Europa não pode se dar ao luxo de perder tempo.

    O próprio Draghi alertou, em setembro, que a UE não estava avançando rápido o suficiente nas reformas necessárias, advertindo que a complacência deixaria a Europa para trás.

    Ursula von der Leyen faz um discurso durante a assinatura de um acordo entre a UE e países sul-americanos em 17 de janeiro. Fonte: Getty Images América do Sul

    Pinho rebateu essas críticas, destacando a tomada de decisões inclusiva da Comissão e o senso de urgência. Ela apontou para o acordo comercial com a América do Sul e as negociações em andamento com a Índia como evidências da liderança de von der Leyen em questões econômicas.

    Mesmo os detratores admitem que von der Leyen conduziu a Europa por grandes crises, às vezes se beneficiando de sua abordagem centralizada. Durante seu primeiro mandato, ela coordenou a aquisição de vacinas pela UE e persuadiu os Estados-membros a assumir dívidas conjuntas para ajudar os cidadãos a suportar choques econômicos.

    Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, von der Leyen trabalhou em estreita colaboração com o presidente dos EUA, Joe Biden, para impor duras sanções a Moscou, incentivou a Europa a reduzir sua dependência de energia russa e garantiu apoio financeiro contínuo à Ucrânia — mesmo após Trump retirar a ajuda dos EUA.

    Ela também impôs tarifas sobre veículos elétricos chineses, apesar da oposição da Alemanha, e garantiu o maior acordo de livre comércio da história da UE com o bloco Mercosul após 25 anos de negociações. Esses feitos, observam autoridades, estavam longe de ser garantidos.

    Tensões Transatlânticas e Dilemas Comerciais

    Von der Leyen iniciou seu segundo mandato justamente quando Trump retornou à Casa Branca, reacendendo temores de uma guerra comercial transatlântica e da possível perda do apoio dos EUA à Ucrânia. Ela agiu rapidamente para garantir um acordo comercial, mesmo que exigisse compromissos difíceis, seguindo o conselho de muitos governos da UE.

    Em julho, von der Leyen se encontrou com Trump na Escócia para finalizar um acordo que impôs uma tarifa de 15% sobre as exportações da UE aos EUA, enquanto eliminava tarifas sobre bens industriais dos EUA e alguns produtos agrícolas que entram na Europa. Ela descreveu o acordo como trazendo “certeza em tempos incertos”, refletindo o desejo entre líderes da UE de manter Trump favorável à Ucrânia.

    No entanto, a estabilidade permaneceu ilusória, e a posição de Trump sobre a Ucrânia continua mudando. Desde o início, alguns funcionários alertaram que a UE estava cedendo demais, prevendo que os EUA voltariam com novas exigências se o bloco não adotasse uma postura mais firme. Suas preocupações aumentaram à medida que Washington expandiu tarifas e pressionou por mudanças nos regulamentos de tecnologia da UE.

    Após os últimos desdobramentos, o acordo comercial agora está em risco. Líderes do Parlamento Europeu retiveram sua aprovação, e alguns questionam a sabedoria de sequer assinar o acordo. Internamente, há uma sensação crescente de que a abordagem atual da UE em relação aos EUA não está produzindo os resultados desejados, mas poucos esperam uma mudança drástica de estratégia.

    Enquanto isso, o Banco Central Europeu observou recentemente que as barreiras dentro do próprio mercado único da UE agora são maiores do que as impostas pelos EUA, com tarifas efetivas de 67% para bens e 95% para serviços. Isso reforçou a visão entre autoridades de que, embora von der Leyen não possa ser culpada pela imprevisibilidade de Trump, ela não fez o suficiente para melhorar o funcionamento do mercado único.

    Embora enfrente resistência de Estados-membros frequentemente divididos, von der Leyen tem, em grande parte, seguido as tradições de consenso do bloco, mesmo que essa abordagem retarde o progresso.

    Draghi criticou essa inércia, argumentando que às vezes ela é erroneamente justificada como respeito ao Estado de Direito, quando na realidade equivale à complacência.

    Oportunidades Perdidas e Alianças em Mudança

    A tentativa de von der Leyen de destacar sua conquista com o acordo comercial sul-americano foi ofuscada pelas últimas ações de Trump. O acordo pretendia demonstrar que a Europa poderia forjar laços econômicos sólidos além dos EUA, mas o foco rapidamente voltou para o gerenciamento da relação imprevisível com Washington.

    De acordo com um alto diplomata da UE, a Europa poderá eventualmente precisar reconsiderar sua parceria com os EUA se os custos continuarem a superar os benefícios, com a disputa sobre a Groenlândia podendo marcar um ponto de inflexão.

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