O governo de Taiwan reagiu nesta sexta-feira às crescentes preocupações de que um acordo comercial histórico com os Estados Unidos possa enfraquecer seu vibrante setor de tecnologia, mesmo enquanto a principal fabricante de chips da ilha, Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), continua a construir grandes instalações avançadas no exterior.
De acordo com um novo acordo abrangente firmado com Washington nesta semana, as empresas da região se comprometeram com pelo menos US$ 250 bilhões em investimentos diretos para expandir a fabricação de semicondutores, energia e inteligência artificial nos EUA — com a TSMC liderando a iniciativa e já investindo pesado em fábricas e operações avançadas de empacotamento no Arizona.
A vice-primeira-ministra Cheng Li-chiun defendeu os investimentos das empresas, afirmando: “Isso não é uma realocação industrial, mas sim uma extensão e expansão da indústria de tecnologia de Taiwan.” Ela insistiu que o governo de Taiwan apoia as empresas na manutenção de sua base no país e no aumento dos investimentos locais.
Cheng diz que os EUA contam com outros parceiros, não apenas Taiwan, para a produção de chips
Na quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram que fecharam um acordo com Taiwan para reduzir as tarifas sobre produtos taiwaneses de 20% para 15% em troca de US$ 500 bilhões em financiamento ou investimento de Taiwan, incluindo seus fabricantes de chips.
No entanto, alguns analistas e legisladores taiwaneses expressaram preocupação de que o deslocamento de capital e instalações para o exterior possa enfraquecer o ecossistema de alta tecnologia doméstico. O acordo gerou preocupação entre nacionais que acreditam que a Ilha Democrática pode comprometer a força econômica da ilha, especialmente após o secretário de Comércio, Howard Lutnick, sugerir a realocação de 40% da cadeia de suprimentos do país para os Estados Unidos. O Departamento de Comércio dos EUA também observou que o acordo irá “impulsionar a relocalização maciça do setor de semicondutores americano”.
Ainda assim, Cheng tranquilizou os nacionais ao afirmar que o objetivo dos EUA de independência doméstica de chips para segurança nacional não depende apenas de Taiwan, apontando para esforços com outros países e fabricantes locais de chips.
Ela acrescentou: “Todos estão trabalhando juntos nos Estados Unidos para revitalizar o desenvolvimento da indústria de IA e liderar as oportunidades de negócios relacionadas à IA. Não é algo que se espera que Taiwan realize sozinha.”
Na sexta-feira, o primeiro-ministro Cho Jung-tai também elogiou os negociadores pelo excelente trabalho na obtenção do acordo, destacando que as conquistas até agora refletem um esforço significativo.
Também comentando sobre o acordo, os analistas da Bloomberg Adam Farrar, Michael Deng e Nicole Gorton-Caratelli disseram que o acordo comercial influenciará apenas modestamente a economia de Taiwan.
Ainda assim, o acordo tem grande peso político em meio à crescente pressão da China. Eles também argumentaram que os EUA podem ver a produção doméstica de semicondutores crescer significativamente nos próximos dez anos.
A capacidade de produção de chips de Taiwan será de 80%
Falando em Taipei na sexta-feira, o Ministro da Economia Kung Ming-hsin também previu que, até 2030, Taiwan deterá aproximadamente 85% da capacidade de produção de chips avançados de 5 nanômetros ou menos, enquanto os EUA ficarão com cerca de 15%. Ele acrescentou que, até 2036, Taiwan deverá manter cerca de 80% dessa capacidade, com os EUA atingindo aproximadamente 20%.
Durante anos, a produção dos chips mais avançados do mundo por Taiwan foi vista como um “escudo de silício” que desestimula possíveis ações militares chinesas. No momento, o partido de oposição Kuomintang culpa o Partido Progressista Democrático por colocar em risco o setor de tecnologia da ilha ao concordar com concessões comerciais com Washington.
A maior empresa de semicondutores de Taiwan, a TSMC, já está comprometendo mais US$ 100 bilhões em operações nos EUA, construindo pelo menos mais quatro fábricas de chips além das anteriormente previstas. Em grande parte, a expansão da TSMC nos EUA gerou preocupações sobre a posição de Taiwan na cadeia global de semicondutores. Ainda assim, executivos da TSMC insistem que as tecnologias de ponta serão desenvolvidas em Taiwan e permanecerão lá por anos antes de serem transferidas para o exterior, principalmente devido a questões logísticas.
O diretor financeiro Wendell Huang comentou: “As tecnologias mais avançadas serão operadas em Taiwan por razões práticas. Quando estiverem estabilizadas, então podemos tentar acelerar a transferência da tecnologia para o exterior.”
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